Janeiro Roxo chama atenção para a hanseníase, doença que ainda registra 200 mil novos casos por ano no mundo

Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes, reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento

A cada ano, cerca de 200 mil novos casos de hanseníase são registrados em aproximadamente 120 países, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O Brasil concentra cerca de 90% dos casos das Américas e ocupa a segunda posição mundial em número de ocorrências, atrás apenas da Índia, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
 

Diante desse cenário, o mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, voltada à conscientização sobre a hanseníase, uma doença infecciosa crônica, curável, mas que ainda representa um desafio de saúde pública devido ao diagnóstico tardio, à desinformação e às possíveis complicações quando não tratada adequadamente. A campanha busca ampliar o acesso à informação, estimular a identificação precoce dos sinais da doença e reforçar a importância do tratamento.
 

Segundo a infectologista do Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes, Dra. Daniela Pereira Lopes,  a hanseníase tem forma conhecida de transmissão e pode ser controlada com acompanhamento médico. “A transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores, principalmente por meio da tosse, do espirro ou da fala, a partir de pessoas que estão na forma contagiosa da doença e ainda não iniciaram o tratamento. Não há transmissão pelo contato casual, como abraço, aperto de mão ou compartilhamento de objetos”, explica.
 

A hanseníase é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, uma bactéria de evolução lenta no organismo. A doença exige contato próximo e prolongado com uma pessoa infectante e sem tratamento. A quantidade desse bacilo no corpo define as formas da doença e o risco de transmissão. Pacientes classificados como paucibacilares, com baixa carga da bactéria, não são considerados fontes importantes de transmissão. Já os pacientes multibacilares, com maior quantidade do bacilo, podem transmitir a doença enquanto não iniciam o tratamento. “Assim que o paciente começa a medicação, o bacilo deixa de ser eliminado, o que interrompe a transmissão”, destaca o especialista.
 

Entre os principais sinais e sintomas da hanseníase estão manchas na pele, claras, avermelhadas ou amarronzadas, com perda ou alteração da sensibilidade ao calor, ao frio ou à dor; sensação de formigamento ou fisgadas, especialmente nas mãos e nos pés; diminuição da força muscular; espessamento dos nervos periféricos; redução dos pelos e do suor em áreas afetadas e, em alguns casos, surgimento de nódulos dolorosos. A doença apresenta longo período de incubação, que pode variar de dois a sete anos.
 

De acordo com o infectologista, a perda de sensibilidade é um dos principais sinais de alerta. “Muitas pessoas observam a mancha na pele, mas não dão importância ao fato de não sentirem dor ou temperatura naquele local. Essa alteração da sensibilidade é um indicativo importante e deve ser avaliada por um profissional de saúde”, orienta.
 

O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica dermatológica e neurológica, com análise da pele e dos nervos periféricos. Em situações em que há suspeita de comprometimento neural sem lesões visíveis ou quando os sinais são pouco evidentes, o paciente pode ser encaminhado para unidades de maior complexidade para exames complementares. Em crianças, a investigação é ainda mais criteriosa, já que casos nessa faixa etária podem indicar transmissão ativa no ambiente familiar, exigindo a avaliação dos contatos próximos.
 

Quando não diagnosticada e tratada precocemente, a hanseníase pode evoluir com complicações, principalmente relacionadas às lesões dos nervos, que podem causar dor crônica, perda de força, limitações funcionais e impacto na vida social e profissional do paciente. “Essas sequelas podem ser evitadas quando o tratamento é iniciado no momento adequado, reforçando a importância do diagnóstico precoce”, ressalta a infectologista.
 

O tratamento da hanseníase é gratuito, seguro e eficaz, realizado por meio da Poliquimioterapia Única, que associa rifampicina, dapsona e clofazimina. A duração varia conforme a forma clínica da doença, com seis meses para os casos paucibacilares e doze meses para os multibacilares. Logo no início do tratamento, o paciente deixa de transmitir o bacilo.
 

Para o especialista, a informação continua sendo uma das principais ferramentas de enfrentamento da doença. “A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível no sistema público de saúde. Procurar atendimento ao perceber qualquer alteração de sensibilidade na pele é fundamental para evitar complicações e interromper a transmissão”, finaliza.

Sobre o Hospital Municipal de Itu
 

É uma unidade de referência em procedimentos hospitalares de média e baixa complexidade, além de oferecer Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) ambulatoriais de média e alta complexidade. A instituição conta com 32 leitos destinados a internações clínicas, cirúrgicas e de pacientes adultos, além de dispor de 2 salas de Centro Cirúrgico (CC) e 2 salas de Recuperação Pós-Anestésica (RPA), garantindo assistência segura e integral à população.

Sobre o Grupo Chavantes
 

A OSS (Organização Social de Saúde) Grupo Chavantes gerencia mais de 30 projetos espalhados em seis estados brasileiros, o que a posiciona como a oitava maior entidade do setor no país, com uma gestão anual de aproximadamente R$ 720 milhões.

 

Assessoria de Imprensa do Grupo Chavantes

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