Reconhecer os sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode fazer diferença no atendimento e na recuperação do paciente. Alterações súbitas na fala, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, assimetria no rosto, dificuldade para enxergar, tontura ou perda de equilíbrio estão entre os principais sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
A atenção é importante diante da dimensão do problema no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 205.540 internações por AVC em 2025, o equivalente a uma média de aproximadamente 563 internações por dia. Em 2020, foram 153.690 registros, o que representa um aumento de cerca de 34% em cinco anos. Até julho de 2026, já foram contabilizadas 118.407 internações.
Embora o AVC seja frequentemente associado ao envelhecimento, os dados também mostram registros importantes entre pessoas mais jovens. Na faixa etária de 14 a 50 anos, foram 20.166 internações em 2020 e 26.506 em 2025, um crescimento de aproximadamente 31%.
Para Flavio Romeu Lopes, coordenador clínico da UPA San Marino, o primeiro passo é saber identificar quando uma alteração pode representar uma emergência. “O AVC geralmente se manifesta de forma súbita. A pessoa pode estar bem e, de repente, apresentar dificuldade para falar, perder a força de um lado do corpo ou ter uma alteração no rosto. Esses sinais não devem ser observados em casa para ver se vão melhorar. É preciso procurar atendimento imediatamente”, orienta.
Sinais aparecem de forma súbita
O AVC acontece quando há uma interrupção do fluxo de sangue para determinada região do cérebro ou quando um vaso sanguíneo se rompe. Existem dois principais tipos, o AVC isquêmico, provocado pela obstrução de um vaso, e o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso e consequente sangramento.
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos AVCs são isquêmicos e 15% hemorrágicos. A identificação rápida dos sintomas é importante porque o tratamento depende do tipo de AVC, da condição clínica do paciente e do tempo transcorrido desde o início dos sinais.
Entre os principais sintomas estão fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, alteração na visão, assimetria facial, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e repentina.
“Uma forma simples de perceber alguns desses sinais é pedir para a pessoa sorrir, levantar os dois braços e repetir uma frase. Se um lado do rosto estiver diferente, se um dos braços não acompanhar o outro ou se houver dificuldade para falar, existe uma situação que precisa ser avaliada rapidamente”, explica Lopes.
Uma informação especialmente importante para a equipe médica é saber quando os sintomas começaram. Em determinados casos de AVC isquêmico, existe a possibilidade de realização de tratamento trombolítico dentro de uma janela de até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas, desde que o paciente seja avaliado e atenda aos critérios clínicos.
“Quando a família ou quem está acompanhando o paciente consegue informar o horário em que os sintomas começaram, isso ajuda a equipe a definir a conduta. O tempo é um dos elementos que consideramos na avaliação porque existem tratamentos que dependem diretamente de quando o quadro teve início”, destaca o médico.
Por isso, mesmo que os sintomas sejam leves ou desapareçam depois de alguns minutos, a orientação é buscar avaliação médica. Episódios transitórios também precisam ser investigados, pois podem estar relacionados a alterações no fluxo sanguíneo cerebral e representar um sinal de alerta.
AVC também pode acontecer em pessoas mais jovens
Os dados do Ministério da Saúde reforçam que a atenção aos sinais não deve ficar restrita à população idosa. Entre 2020 e 2025, as internações por AVC entre pessoas de 14 a 50 anos passaram de 20.166 para 26.506.
A idade é apenas um dos fatores relacionados ao AVC. Hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol elevado, sobrepeso e obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e uso de drogas ilícitas estão entre os fatores associados ao aumento do risco da doença.
“É importante quebrar a ideia de que AVC só acontece com pessoas idosas. Nós também vemos casos em adultos mais jovens e, por isso, fatores como pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol elevado e sedentarismo precisam ser acompanhados. Cuidar desses aspectos desde cedo é uma forma de reduzir o risco no futuro”, afirma Flavio.
A hipertensão merece atenção especial porque pode permanecer sem sintomas durante anos. O acompanhamento regular permite identificar alterações e iniciar o tratamento quando necessário. O mesmo vale para diabetes e colesterol elevado, que também podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.
Além dos fatores de risco mais conhecidos, casos de AVC em pessoas jovens podem ter outras causas e, por isso, precisam de investigação individualizada. Algumas situações podem estar relacionadas a doenças cardíacas, alterações de coagulação ou outras condições específicas.
“Quando um AVC acontece em uma pessoa jovem, não significa necessariamente que ela tenha levado uma vida pouco saudável. Existem diferentes causas possíveis e cada caso precisa ser investigado. O importante é não minimizar os sintomas por causa da idade. Uma pessoa jovem que apresenta uma alteração neurológica súbita também precisa ser atendida rapidamente”, ressalta o especialista.
Diante de uma suspeita de AVC, a recomendação é não esperar que os sintomas desapareçam ou que o quadro melhore espontaneamente. A busca imediata por atendimento permite que o paciente seja avaliado, submetido aos exames necessários e, quando indicado, receba o tratamento adequado o mais rapidamente possível.
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