Julho Amarelo reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce das hepatites virais

Especialista do Hospital Municipal de Itu explica as diferenças entre os tipos de hepatite, as formas de transmissão e os tratamentos 

As hepatites virais são doenças que provocam inflamação no fígado e, em muitos casos, evoluem de forma silenciosa. Por na maioria das vezes não apresentarem sintomas nas fases iniciais, podem permanecer sem diagnóstico durante anos, o que aumenta o risco de complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, médicos alertam para a importância do diagnóstico precoce, principalmente nos casos das hepatites B e C.
 

Existem cinco tipos principais de hepatites virais: A, B, C, D e E. Cada uma apresenta formas distintas de transmissão, evolução e tratamento. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e costumam provocar infecções agudas, sem evolução para doença crônica na maioria dos casos. A hepatite D ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B. Já as hepatites B e C podem evoluir para formas crônicas da doença e aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado quando não são diagnosticadas precocemente e tratadas.
 

A hepatite B é transmitida pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C tem como principal forma de transmissão o contato com sangue contaminado, especialmente pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes ou pelo uso de materiais não esterilizados. Para a hepatite C, o risco de transmissão sexual é também significativo.
 

Segundo a infectologista Dra. Daniela Pereira Lopes, do Hospital Municipal de Itu, gerenciado pelo Grupo Chavantes, as hepatites B e C podem permanecer sem sintomas por muitos anos, o que dificulta o diagnóstico precoce.

“As hepatites B e C costumam evoluir de forma silenciosa. Muitas pessoas descobrem a infecção apenas quando já apresentam lesões no fígado. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento no momento adequado, reduzir o risco de complicações e interromper a transmissão do vírus”, explica.
 

Entre 2000 e 2022, a hepatite B foi responsável por 21,7% das mortes relacionadas às hepatites virais no Brasil, enquanto a hepatite C respondeu por 75,9% dos óbitos registrados no mesmo período.
 

Embora muitas pessoas não apresentem sintomas nas fases iniciais, quando eles surgem podem incluir cansaço intenso, febre, mal-estar, náuseas, perda de apetite, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados. Na fase crônica, as hepatites B e C,  os sintomas são inespecíficos  e  podem não aparecer por décadas.
 

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, incluindo testes rápidos disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de exames de sangue que identificam o vírus. Devem realizar os testes pessoas compartilham objetos perfurocortantes, fazem uso de drogas injetáveis, possuem múltiplos parceiros sexuais, pessoas que tiveram contato com sangue sem proteção, bem como os contatos domiciliares dos portadores destes vírus.
 

“A vacinação contra a hepatite B, o uso de preservativos, a utilização de materiais esterilizados em procedimentos como tatuagens e piercings e o não compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear, alicates de unha e escovas de dente, reduzem o risco de infecção.”
 

A vacina contra a hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS para toda a população, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. A hepatite A também pode ser prevenida por vacinação, de acordo com o calendário vacinal, além da adoção de medidas de higiene, do consumo de água tratada e da ampliação do saneamento básico.
 

O tratamento varia conforme o tipo de hepatite. As hepatites A e E normalmente exigem apenas acompanhamento clínico e medidas de suporte, já que o organismo costuma eliminar o vírus espontaneamente. Nos casos de hepatite B, o tratamento depende da fase da doença e pode incluir medicamentos antivirais para controlar a infecção e reduzir o risco de evolução para cirrose e câncer de fígado. Já a hepatite C apresenta índices superiores a 95% de cura com antivirais de ação direta, administrados por via oral durante algumas semanas.
 

“Atualmente, a hepatite C tem cura na maioria dos casos quando diagnosticada e tratada adequadamente. Pessoas que tiveram exposição aos fatores de risco ou nunca realizaram os testes devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações e permite iniciar o tratamento no momento adequado”, conclui a infectologista.

 

Sobre o Grupo Chavantes

A OSS (Organização Social de Saúde) Grupo Chavantes gerencia mais de 30 projetos espalhados em seis estados brasileiros, o que a posiciona como a oitava maior entidade do setor no país, com uma gestão anual de aproximadamente R$ 720 milhões.

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